domingo, 9 de setembro de 2012

Ingenuidade e ignorância... Fazemo-nos homens e mulheres e começamos a passar pelas dores e pelas provações de um mundo de responsabilidades. E muitas vezes é um sofrimento muito grande, muitas vezes são perdas muito grandes e o peso de tudo o que existe caí em nós e parece impossível sobreviver. E quando está assim mau, quando tudo é assim tão mau e parece que sabemos já melhor que ninguém o que é a dor, eis que passa a existir um peso maior que o peso de tudo o que existe. E este caí em cima de nós. E percebemos o quanto eramos ingénuos, o quanto a dor era suportável ao lado da agonia que até então ignorávamos existir. E fico a pensar, até onde pode tudo ir? Quanto mais vou ter de carregar? Este muito será pouco?
Já não sei se sei sequer pensar ou até escrever o que penso, sei-me só anestesiada de dor e angústia.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

"We all carry within us our places of exile, our crimes and our ravages. But our task is not to unleash them on the world; it is to fight them in ourselves and in others."

The Rebel, Albert Camus

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Que sei eu sobre o amor? Não sei sequer se sei todos os sentido da palavra amor.. Mas sei muito sobre saudade, sobre falta, sobre vontade... Sei muito sobre dor e sofrer e querer... Sei o que é o coração aflito, apertado, perdido... Também sei os sorrisos e o toque e o cheiro. Sei o que sinto quando abro os olhos e vejo os teus olhos, e vejo a tua boca e a tua pele e a sinto na minha. Sei o que sinto quando te ouço, quando ris, quando me dizes gosto de ti quero-te para mim. Não sei se sei todos os sentidos da palavra amor, não sei se dizer amo-te diz tudo, mas sei que quero dizer muito sobre ti e sobre nós e que se disser num amo-te estou a dizer o mundo inteiro em três sílabas...

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Às vezes sinto muito medo, diminuo dentro de mim mesma como se fosse desaparecer. Medo de perder as vidas que fazem a minha existir. Dói a distância, dói a ausência. E este sufoco aperta-me o coração, volto a ter cinco anos, e estou num quarto escuro onde mal me consigo mexer. Tenho medo de vos perder, tenho medo de me perder de vocês.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Falta

Boa noite. Falta dizer boa noite.
E bom dia. E sorrir de te ver. Falta quietude, sossego, horas sem horários.
Falta ter ombro para chorar, Chorar num ombro quase que dói menos.
Falta falar e ouvir falar, sorrir de sorrir e de ver sorrir.
Falta pele para tocar, para ser tocada, arrepios...
Falta juntar tu e eu, deixar cair a noite e ficar. Um.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Abraça-me

Abraça-me. Quero ouvir o vento que vem da tua pele, e ver o sol nascer do intenso calor dos nossos corpos. Quando me perfumo assim, em ti, nada existe a não ser este relâmpago feliz, esta maçã azul que foi colhida na palidez de todos os caminhos, e que ambos mordemos para provar o sabor que tem a carne incandescente das estrelas. Abraça-me. Veste o meu corpo de ti, para que em ti eu possa buscar o sentido dos sentidos, o sentido da vida. Procura-me com os teus antigos braços de criança, para desamarrar em mim a eternidade, essa soma formidável de todos os momentos livres que a um e a outro pertenceram. Abraça-me. Quero morrer de ti em mim, espantado de amor. Dá-me a beber, antes, a água dos teus beijos, para que possa levá-la comigo e oferecê-la aos astros pequeninos.
Só essa água fará reconhecer o mais profundo, o mais intenso amor do universo, e eu quero que delem fiquem a saber até as estrelas mais antigas e brilhantes.
Abraça-me. Uma vez só. Uma vez mais.
Uma vez que nem sei se tu existes.

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'